|
|
|
Saturday, April 19, 2008
Série sobre Racismo Pegando FogoUma série de posts sobre racismo em meu novo blog está gerando bastante discussão. É impressionante como esse tema causa reações extremadas! Dêem uma olhada e me digam o que acham:
Aliás, o que você ainda está fazendo aqui? Esse blog acabou. Posts atualizados só no novo blog!
Saturday, February 9, 2008
AniversárioFaço 34 anos em uma semana. Se você lê esse blog de graça há anos e quer retribuir, minha sugestão é: dê um presente para nós dois e compre alguns dos meus livros à venda.
Tuesday, February 5, 2008
Empregadas & Escravos, Romance em AndamentoAcabei de postar a terceira versão, ainda incompleta, de A Morte do Cachorro, primeira história do meu romance em andamento Empregadas & Escravos. Quem preferir esperar ficar pronto, eu entendo. Esse rascunho é mesmo só para curiosos e estudiosos do método de composição. Se quiserem bater papo sobre esses assuntos, eu adoro, claro. Manoel dobrou ao centro, desceu o corredor, deslizou pelo carpete, armadura chinesa da escola cusquenha, richaud de petit bronze estilo Companhia das Índias, mesinha de cristal murano Luis XVII, desviando, desvelando, desencostando, espadas de mármore e lanças de madrepérola, brasões familiares com desenhos cubistas em flâmulas de porcelanaEmpregadas & Escravos: A Morte da Cachorra: terceira versão incompleta.
Sunday, February 3, 2008
Elogio à BelezaUm escritor argentino, autor do livro de memórias "Feio", está querendo criar um imposto sobre a beleza. Segundo ele, os belos obtém tantas vantagens adicionais que é justo que paguem impostos adicionais. "Bem, nada mais justo então do que os inteligentes usarem sua arma, a inteligência, para convencer os belos a não usarem as deles."Concordo. Feios e barrigudos, só resta mesmo aos inteligentes tentarem mudar as regras do jogo. Burro é quem acredita. Entretanto, eu sou vira-casaca: acho gente inteligente um porre e idolatro a beleza. Além disso, ser agente duplo para os belos tem muitas vantagens: ninguém sabe quem foi Michel Foucault ou André Brissac, por exemplo, mas os favores sexuais mais do que compensam. Assim como o mito do valor inerente da leitura só existe porque as pessoas que gostam de ler têm um lobby mais influente do que as pessoas que gostam de jogar bola em terreno baldio, esse mito da beleza como método não-meritocrático de subir na vida só existe porque são os feios que escrevem pros jornais e fazem as leis. ![]() * * * Apêndice Socrático Antes de publicá-los, sempre mostro meus textos para meus contatos no MSN. A conversa abaixo foi com uma das primeiras leitoras do Elogio à Beleza: Mas, Alex, o cara pode se revoltar pela beleza alheia pelo simples fato de que a pessoa já nasceu bonita... Ou seja, nasceu em vantagem. É diferente de quando alguém vence pela inteligência, isso é adquirido ao longo da vida... Mentira, lenda. Inteligência, beleza, talento, a gente nasce com eles todos, são difíceis de manter, e vamos refinando-os ao longo da vida. Nenhum é de graça, nem cai do céu. Pergunte pra alguém lindo de verdade o tempo e dinheiro que eles gastam nisso. Sim, claro. Mas por exemplo, mulher quando vai procurar emprego, além da mínima formação exigida pro cargo, ela precisa ser bonita na maioria dos casos. Homem não. Isso é escroto. Eu acho horrível, mas eu vejo isso na minha área. Eu trabalho com TI e sempre sou chamada pras etapas seguintes das entrevistas pelo simples fato de, 1) ser mulher e 2) não ser gorda, espinhenta, ou com cara de nerd. Agora, se tu colocas um homem pra fazer entrevistas na area de TI, os caras não vão se importar com aparência... Você devia achar isso bom, é uma vantagem comparativa pra você. Eu sou completamente incapaz de ser contra algo que me favoreça. Mas daí isso contraria tudo o que me ensinaram a vida toda! Eu deveria vencer por méritos acerca da minha capacidade, não da minha cara ou da minha bunda! O problema é que isso que te ensinaram foi o lobby dos feios querendo te convencer que a SUA vantagem competitiva não conta, ué. O texto é justamente sobre isso. Sua bunda é tão sua quanto seu cérebro e você obter vantagens por qualquer um dos dois é igualmente válido. Sua bunda não é menos sua do que o seu cérebro. Isso é certo, reconheço. Mas daí me vem a dúvida: eles querem que eu trabalhe pra eles de verdade ou que eu sirva de deleite no escritório? Eu vou ser contratada pra o quê? Claro que daí alguém pode me dizer que eu posso surpreeendê-los e me mostrar realmente capaz... Mas até la eu não posso deixar de me sentir uma boneca de pano ou uma peça de leilão, sei lá. Se te pagarem salário, do que isso importa? O importa é entrar, lá dentro você pode mostrar que é mais do que uma bela bunda... E, se passarem a mão nela, você ainda chama a polícia e ganha uma indenização polpuda. Mas minha grande dúvida é outra: por que você acha que seu cérebro vale mais do que sua bunda? De onde veio esse ranking de partes do corpo? Isso faz algum sentido? Bem, eu gostaria de usar minha bunda pra outras finalidades... Só que é impossível esconder essas coisas, né? Bem, a bunda é sua. Eu só quero dizer que ela é tão sua e tão válida quanto seu cérebro. Ok, entendi. Mas ainda assim não me conformo, parece tão imbecil... Mas isso é só porque te ensinaram um dualismo cartesiano e ultrapassado, essa história de que somos feitos de corpo e alma, um alto e sublime, outro baixo e sórdido, e portanto o que você consegue com o corpo também é baixo e sórdido, e as únicas coisas que teriam valor verdadeiro seriam as que você consegue com a alma, com o intelecto, etc. Mas essa dicotomia é falsa, você é uma só. Você é tudo isso o tempo todo. Bem. o ruim disso é que eu não sei o que falar pros meus colegas quando eles dizem que eu consigo as coisas só porque eu sou mulher. Isso é claramente injusto já que eles podem fazer o mesmo que eu... Eles preenchem os requisitos tanto quanto... Você pode responder que para cada coisa que você consegue por ser mulher tem outras tantas que você não consegue por ser mulher. Daí eu penso "ok, a decisão do empregador é só dele, quem se importa se ele quer mais é uma visão feminina na empresa do que alguém capacitado?" Só que é MUITO injusto com os outros... Eles nasceram daquele jeito, não é culpa deles... O mundo é injusto. Um emprego que escolha o mais capacitado vai ser injusto com os poucos capacitados. Se escolher os inteligentes, vai ser injusto com os burros. Se escolher os talentosos, vai ser injusto com os que nasceram sem talento. Se escolher os melhores, vai ser injusto com os piores. Qual é a solução? Ai, Deus! Tu me deixa sem respostas! * * * O LLL mudou! Atualizem seus bookmarks e links! O novo endereço é: http://www.interney.net/blogs/lll
Friday, February 1, 2008
Malvada, Fútil e ExibicionistaQuando eu digo que gosto de mulheres malvadas, a maioria dos leitores simplesmente não entende o que quero dizer com isso. Não tem problema: o objetivo do comentário não é explicar o mundo para os desavisados, mas atrair os entendidos. "This little girl is going to die and there's nothing you can do it about it. Don't bother trying to figure out why she's the one. It was a totally random thing, believe me. See, this has nothing to do with her. This is all about me!"Total e completo egocentrismo: só ela importa. A menina é menos que uma, somente um meio para seu fim, sua glória, sua vitória. ![]() A Mulher-Gato (a nova Mulher-Gato, aliás, toda atrapalhada) cai do telhado aos pés da vilã e ela pergunta, em uma daquelas perguntas cruelmente irônicas e bem-humoradas que deixa claro qual será o destino da heroína: "Any last words for the million-plus viewers glued to their laptops?"Nada mais sexy do que ironia de vilã. ![]() Quando a Mulher-Gato acorda, Blitzkrieg, óbvio, está se gabando do seu plano maligno: comprou aquelas luvas que emitem raios de um grupo terrorista e escolheu o nome Blitzkrieg por ser assim meio alemão e meio sinistro: "sounds sort of ominous". Não é lindo uma mulher que quer soar "ominous"? Seu plano é simples: depois de estourar os olhinhos castanhos da menina pela nuca (sua palavras!), toda a cidade vai falar nela! E ainda pergunta: "um plano doce, não?" Eu quase posso ouvir sua voz, igualmente doce, falando palavras tão incrivelmente cruéis. ![]() O plano, apesar de simples (matar uma menina inocente ao vivo e ficar famosa) parece extraordinariamente cruel e leviano. Assim como a Madrasta Má e tantas outras vilãs, Blitzkrieg é extremamente vaidosa: adora saber que milhares de pessoas estão assistindo-a e pretende matar uma criança inocente só para que a cidade toda fale nela. E está empolgada com seu plano. ![]() A vilã anuncia para a câmera: sim, a pobre menininha ainda vai morrer, mas teremos um novo assassinato antes pra deixá-los com água na boca. Ela aponta suas luvas para a Mulher-Gato com um grande sorriso nos lábios e ainda faz pouco dos esforços da heroína para salvar a menina. Claramente sente prazer em que a Mulher-Gato morra sabendo que deu tudo errado, que ela fracassou e Blitzkrieg venceu e, pra melhorar, que a menina ainda assim vai morrer: "Think you're pretty smart, don't you? All you did was speed things up. You die now. Then the kid gets it. Happy?" ![]() Mas a Mulher-Gato se desvia dos raios no último segundo e fica apenas muito ferida. Blitzkrieg se impressiona ("Still alive? I'm impressed!")e diz que, como prêmio por ter sobrevivido mais um pouco e enquanto está se roendo de dor no chão, a Mulher-Gato vai poder assisti-la matando a pobre menininha: "I'm gonna let you watch me kill your little friend."Não basta matar as duas, heroína e menininha, a vilã ainda sente prazer em que Mulher-Gato vai ter que assistir a morte da criança que tentou salvar - e que isso vai ser uma das últimas coisas que verá. O sofrimento e frustração da pobre heroína alimentam seu ego. Para a vitória completa e egoísta da vilã, é necessário acabar com todos, não deixar testemunhas: no seu final feliz perfeito, ela sozinha é a dona do campo de batalha. Nessa hora, naturalmente, ela comete o erro de toda vilã, dá as costas pra heroína ferida, a heroína puxa forças sei lá de onde e acaba com ela. Final feliz. Fim de história. ![]() Enfim, um gibi bem fraco. Mas eu, que coleciono e adoro vilãs, há muito tempo não via nenhuma assim tão exageradamente má, perversamente gostosa, deliciosamente fútil e absolutamente exibicionista. * * * Sim, confesso, eu sinto tesão por uma vilã assim como Blitzkrieg, mas ela não existe e, se existisse, seria um monstro que teria que ir preso. O tesão não significa que concordo com suas ações ou que acho que são recomendáveis, bem ao contrário. Meu tesão é por esse arquétipo (aliás, mais velho que andar pra frente) da femme fatale, da mulher má, da diva egoísta. Por fim, trazendo a questão à realidade, meu verdadeiro tesão é pelas mulheres de carne e osso, lindas e inteligentes, tantas delas minhas amantes e amigas, que também são atraídas por esse mesmo arquétipo, que adoram a fantasia de ser essa mulher e de ter escravos apaixonados aos seus pés para usar e abusar, que gozam com a suprema liberdade de um egoísmo sem limites e de poder não se preocupar com nada nem ninguém, que se excitam ao se imaginar malvadas e poderosas, fúteis e vaidosas, gloriosas deusas do mal. ![]() A verdadeira Lucrécia Bórgia com certeza não era tão má assim, mas a Lucrécia ficcional é o máximo. * * * Raquel diz que meu Elogio às Malvadas foi uma das coisas mais importantes que já leu e conta a seguinte história: de vez em quando, conversa com suas colegas sobre fantasias sexuais e galãs da moda. Entretanto, enquanto elas sonham com o que fariam com o Brad Pitt na cama, Raquel tem outros desejos inconfessáveis. Sua fantasia era fazer o Brad Pitt se apaixonar por ela e, depois, humilhá-lo, obrigá-lo a largar sua carreira no cinema, abdicar de tudo só para tê-la, e ela só provocando-o, atiçando-o, e então, quando já não lhe restasse nada, só aquela paixão irreprimível por ela, ela riria na cara dele, diria que agora que ele não é mais um astro, não lhe serve, não lhe tem serventia alguma, o que vai querer com um pobretão inútil desses?, que vá pintar paredes, arranjar mulheres na zona, qualquer coisa assim, mas saia da minha presença agora!, e ele sairia, arqueado, derrotado, humilhado, e o que mais a excitava, nessa sua fantasia, era a idéia de acabar com a vida de um astro de Hollywood por puro capricho, sem motivo algum, e, melhor ainda, ele ter feito tudo voluntariamente, por puro tesão, um tesão que ele carregaria pra sempre, acumulado e frustrado! (No final, ela estava quase sem ar, olhinhos brilhando, voz arquejante.) Na sua vida civil, Raquel é mignon, educada, quase tímida, se vira ao avesso pelos amigos, faz de tudo para agradar as pessoas. Em suas fantasias, porém, é uma deusa do mal, uma devoradora de homens, cercada por dezenas de escravos devotados que ela joga aos leões depois de abusar sexualmente, adorada e desejada por multidões apaixonadas e sempre frustradas, absolutamente egoísta e mentirosa, interessada somente em si mesma, em seu poder, em sua glória, em sua vitória, em seu final feliz. Tudo o que ela não é. ![]() Melhor cena: os homens brigando no ar e ela olhando tudo excitadíssima, olhos brilhando, se deliciando no duelo dos machos por ela, verdadeira deusa primitiva esperando seu sacrifício de sangue. * * * Para fechar, um trecho do blog Bitchy Jones's Diary sobre a delícia de submeter um homem forte e independente. Quanto maior, mais poderoso, mais másculo, mais amante da liberdade, maior é o prazer de tê-lo sob suas botas: Male submission is about heroic masculinity and male beauty.Se gostou, não deixe de ler The Complete Bitchy Jones, onde ela resume todas as suas idéias mais interessantes. Dica da Rebeca, uma de minhas amigas mais queridas e uma das mulheres mais imaginativamente perversas que já conheci. ![]() Uma das graphic novels mais sensuais de todos os tempos. Como não amar Elizabeth? * * * 15 Personagens de Literatura que Eu Levaria para a Cama
![]() * * * Textos relacionados: Elogio às Malvadas Meninas Malvadas * * * O LLL mudou! Atualizem seus bookmarks e links! O novo endereço é: http://www.interney.net/blogs/lll
Monday, January 28, 2008
Retomada do Blog e Futuros Posts(esse é o ÚLTIMO post do velho LLL. O novo LLL está aqui: http://www.interney.net/blogs/lll)
http://www.interney.net/blogs/lll(esse é o ÚLTIMO post do velho LLL. O novo LLL está aqui: http://www.interney.net/blogs/lll)
Wednesday, January 23, 2008
Bom Crioulo, de Adolfo Caminha (II)
Segundo Judith Butler, em Problemas de Gênero: Feminismo e Subversão de Identidade (1990), atributos de gênero não são expressivos mas sim performativos e, portanto, esses atributos constituiriam de fato a identidade que pretendem expressar ou revelar. Em outras palavras, para Butler, ser homem ou ser mulher, ser heterossexual ou homossexual, não são categorias imanentes, pois não existiria uma essência, digamos, masculina que precederia a existência do indivíduo do gênero masculino: masculino seria quem se comporta de acordo com os padrões de comportamento culturalmente definidos como masculinos. Mais ainda, se não existe uma natureza pré-existente das identidades de gênero, então não existem atos sexuais verdadeiros ou distorcidos, e a própria noção de “gênero verdadeiro” revela-se uma manobra destinada a impor a dominação masculina e a heterossexualidade compulsória. Romance cuja trama adere estritamente à fórmula naturalista (quem não adere é o narrador, conforme veremos mais abaixo), em Bom-Crioulo os personagens são esquemáticos: ao mesmo tempo, frutos do seu meio-ambiente e reféns de seus instintos. O personagem-título, Amaro, exemplifica bem as contradições da fórmula e as inversões de identidade que ela exige. Por um lado, é o personagem mais ético do romance, agindo sempre com integridade e honestidade - até perder o controle em um acesso de O romance busca um equilíbrio delicado entre as teses cientificistas sobre determinismo biológico e sobre efeito corrompedor do meio ambiente. Ao mesmo tempo em que Amaro é visto como um homem dominado por seus instintos sexuais mais primitivos, o romance também atribui sua corrupção sexual ao ambiente de devassidão das senzalas, que pode ser atribuído, naturalmente, ao fato de serem habitadas por homens dominados por seus instintos sexuais mais primitivos. A partir de sua corrupção, entretanto, Amaro não é mais o mesmo homem que era, com a diferença de ser agora adepto de práticas sexuais sodomitas: pelo contrário, ele sofre uma verdadeira metamorfose conceitual e torna-se uma nova espécie: o homossexual, que surge assim pela primeira vez na literatura brasileira. De acordo com Foucault, em A História da Sexualidade I: A Vontade de Saber (1976), até finais do século XIX, a sodomia era somente uma categoria de atos proibidos e sodomita, a pessoa que os praticava: não era algo que o definia enquanto ser humano. Entretanto, o homossexual como foi classificado no final do século XIX, torna-se um personagem, um passado, um estudo de caso, um estilo de vida, toda uma morfologia. O homossexual seria esse indivíduo cuja totalidade é definida por sua sexualidade e está presente em todas as suas ações, menos um pecado habitual do que uma natureza singular. O antigo sodomita, que era uma aberração temporária, é transformado no homossexual, uma nova A heterossexualidade não é a única identidade subvertida no romance. Amaro é negro, forte, viril, maduro e decidido, enquanto Aleixo, seu jovem amante, é quase uma criança, pequeno, branco, louro, passivo e vacilante. A relação entre eles não é apenas sexual, mas também paternal e professoral. Amaro não vê Aleixo somente como seu amante, mas também como seu pupilo, filho e protegido; Aleixo, por seu lado, se comporta de acordo. Quando Aleixo finalmente troca Amaro por Dona Carolina, parece estar simplesmente trocando um pai por uma mãe: Dona Carolina, velha prostituta, que nunca tinha experimentando nem o amor verdadeiro nem o amor maternal, sente-se atraída mais do que tudo pela fragilidade infantil e inocente de Aleixo. Sob esse aspecto, a competição entre Amaro e Carolina por Amaro se assemelha mais a uma disputa de custódia entre pais divorciados do que a um triângulo verdadeiramente amoroso. Em Bom-Crioulo, pai e mãe, homem e mulher, também não parecem ser o que tradicionalmente são. Finalmente, ao mostrar o branco, miúdo e louro Aleixo passivo diante do grande, negro e forte Amaro, o autor subverte mais uma vez identidades que seriam tradicionais e auto-evidentes aos seus leitores: nesse ponto, a debilidade de Aleixo ecoa a debilidade do próprio Império, branco e escravocrata, que desaparece sem ter quem o defenda. Raça e Homossexualismo Ginway vê no livro uma grande alegoria do país: Aleixo é o Brasil, puro e virgem, corrompido tanto pela nódoa da escravidão, Amaro, quanto pela devassidão do velho mundo, Dona Carolina. (44) Ambas as relações são estéreis, indicando o impasse do cultural e racial do Brasil, incapaz de se perpetuar, incapaz de ser branco como deseja, incapaz de se imaginar mestiço como era. (45) O ideal parece mesmo ser ficar cada raça no seu lugar: quando Amaro considera terminar com Aleixo, sua primeira opção é encontrar uma mulher da mesma cor que ele, para evitar confusões. Depois de estar em um relacionamento tão revolucionário (não apenas homem com homem, mas negro dominante e másculo sobre branco submisso e efeminado), Amaro não quer mais saber de complicação. É também interessante notar que a questão racial não aparece muito no começo do romance, sendo eclipsada pela questão homossexual. Entretanto, assim que Dona Carolina se junta com Aleixo e ambos passam a ver Amaro como rival e possível inimigo, o pederasta se transforma em negro: Aleixo e Carolina parecem ambos perceber - e mencionar - sua raça pela primeira vez. Diz Dona Carolina: "Grandessíssimo pederasta! Nunca supusera que uma paixão amorosa de homem a homem, fosse tão duradoura, tão persistente! E logo um negro, Senhor Bom-Jesus, logo um crioulo imoral e repugnante daquele! ... Negro é raça do diabo, raça maldita, que não sabe perdoar, que não sabe esquecer... ... De resto, o caso do bilhete era uma tolice em que ninguém devia pensar: - Cousas de negro..." (cap.X) Até mesmo Aleixo, que antes o amava e dependia de sua proteção, agora vê nele apenas uma fera, um animal: "Receava encontrar Bom-Crioulo, ter de o suportar com seus caprichos, com o seu bodum africano, com os seus ímpetos de touro, e esta lembrança entristecia-o como um arrependimento. Ficara abominando o negro, odiando-o quase, cheio de repugnância, cheio de nojo por aquele animal com formas de homem, que se dizia seu amigo unicamente para o gozar. Tinha pena dele, compadecia-se, porque, afinal, devia-lhe favores, mas não o estimava: nunca o estimara! ... Se Aleixo havia de se desgraçar nas unhas do negro, era melhor que ela, uma mulher, o salvasse." (cap.VIII) Como aponta Leonardo Mendes, a guerra que Dona Carolina empreende contra Amaro parece justificada mais por uma indignação estética que moral: "o crime que o negro cometia era violar e penetrar aquela delicadeza virginal; sua homossexualidade desbaratava um recolhimento tão ingênuo e discreto." (159) O romance naturalista, quase que por definição, causa anxiedade e desassossego. Em Bom-Crioulo, não apenas a relação homossexual é escandalosa, mas também a inversão do esquema amo/escravo, talvez ainda mais escandolosa para a época: Amaro, em todos os aspectos, é macho, forte, dominador, enquanto que sobram para Aleixo as qualidades submissas dos escravos e das fêmeas: dissimulação e sensualidade: "Uma cousa desgostava o grumete: os caprichos libertinos do outro. Porque Bom-Crioulo não se contentava em possuí-lo a qualquer hora do dia ou da noite, queria muito mais, obrigava-o a excessos, fazia dele um escravo, uma “mulher-a-toa” propondo quanta extravagância lhe vinha à imaginação. Logo na primeira noite exigiu que ele ficasse nu, mas nuzinho em pêlo: queria ver o corpo..." (cap.V) Talvez a ilusão de ótica mais interessante de Bom-Crioulo seja justamente a de apresentar um caso tão escandaloso (o amor homossexual entre Aleixo e Amaro) que faz com que outras relações também escandalosas no romance pareçam aceitáveis na comparação. Uma ex-prostituta quarentona, que vive amigada com um homem casado que a sustenta, decide ter um amante adolescente ("queria agora experimentar um meninote, um criançola sem barba, que lhe fizesse todas as vontades," cap.VI), um rapaz que ela sabia ter vivido maritalmente, em pecado, com um negro por um ano. Em qualquer outro romance do período, essa relação seria escandalosa. Em Bom-Crioulo, ela jamais é nem problematizada. Na comparação com o resto do enredo, parece aceitável e normal, quase conservadora: "D. Carolina realizara, enfim, o seu desejo, a sua ambição de mulher gasta: possuir um amante novo, mocinho, imberbe, com uma ponta de ingenuidade a ruborizar-lhe a face, um amante quase ideal, que fosse para ela o que um animal de estima é para o seu dono - leal, sincero, dedicado até ao sacrifício." (cap.VIII) A relação de Aleixo com Dona Carolina é descrita em termos animalizados, brutais, cruéis: "cravou os dentes na face do grumete, numa fúria brutal, e segurando-o pelas nádegas, o olhar cintilante, o rosto congestionado, foi depô-lo na cama" (cap.IV). Em outro momento (cap.VI), ela chega a ser descrita como um basilisco. Já a relação de Aleixo com Amaro é quase artística, contemplativa, religiosa: Amaro contempla e adora Aleixo como se ele fosse uma obra de arte, um deus grego: "Bom-Crioulo, desde a primeira noite dormida no sobradinho, começou a experimentar uma delícia muito íntima, assim como um recolhido gozo espiritual. ... Todo ele vibrava, demorando-se na idolatria pagã daquela nudez sensual como um fetiche diante de um símbolo de ouro ou como um artista diante duma obra prima. Ignorante e grosseiro, sentia-se, contudo, abalado até os nervos mais recônditos, até às profundezas do seu duplo ser moral e físico, dominado por um quase respeito cego pelo grumete que atingia proporções de ente sobrenatural a seus olhos de marinheiro rude." (cap.V) O romance mostra a relação homossexual entre Amaro e Aleixo de modo muito mais sensível, abstrato, puro, singelo e verdadeiro do que a relação animalesca e sexual entre Aleixo e Dona Carolina. (Ginway, 45) Terá o autor se dado conta disso? Por fim, o romance jamais se posiciona quanto à espinhosa questão da origem do homossexualismo. Enquanto a sexualidade de Amaro é um dado do romance, a de Aleixo é cuidadosamente construída pelo Bom-Crioulo e depois desconstruída por Dona Carolina. Afinal, para Adolfo Caminha, a homossexualidade era nata ou era adquirida? O romance não se coloca. O narrador não consegue se decidir. (Howes, 57) (continua...)
Tuesday, January 22, 2008
Ajuda no Template - UpdateSério, eu não aguento mais o Comentar e esse maldito bug de não mostrar o número de comentários. Fechei com o Ina de ir pro Interney Blogs em fevereiro do ano passado, e achei que não valia a pena consertar. Mas o tempo passa, ainda estou aqui, e o problema está me enchendo o saco. Não quero apagar o Comentar, porque tem um valioso arquivo de 5 anos de comentários, mas queria só que os comentários do Blogger aparecessem na página principal do blog, e nada! Só aparecem nas páginas individuais de cada post. Estou no msn, HEEELLPPP!
Monday, January 21, 2008
Ateus nas TrincheirasUma piadinha americana diz que não existe "ateu em uma trincheira". Pois bem, para negar essa besteirada, um grupo de militares, bombeiros e policiais criou a organização "Ateus nas Trincheiras" (Atheists in Foxholes) e agora estão processando o Exército Americano contra a crescente evangelização das fileiras, protestando inclusive várias ocasiões de "preces forçadas". Via de regra, eu acho que ateu, quando se organiza, fica mais chato e fanático que crente, mas apóio essa iniciativa.
Brasileiros em Nova Orleans"Brazilian Boom", matéria de hoje no jornal local de Nova Orleans, The Times-Picayune. E, nesse link, comentários dos leitores.
Gabeira 2008
Sunday, January 20, 2008
Bom Crioulo, de Adolfo Caminha (I) Em 1886, durante sua viagem de instrução na Marinha, Adolfo Caminha teve oportunidade de conhecer os Estados Unidos, posteriormente escrevendo um dos primeiros livros de viagem que se tem notícia escrito por brasileiro, No País dos Ianques (1894). Nessas crônicas despretensiosas, podemos ver claramente o espírito naturalista do autor, que depois se refletirá em suas obras. Primeiro, ele elogia a independência e o desembaraço das mulheres americanas. Por seus assombrados comentários, podemos somente imaginar como eram oprimidas as mulheres brasileiras da época: "Ah! sim, vi umas graciosas caixeiras acudirem pressurosas e desenvoltas, com o desembaraço próprio de sua raça, aos compradores, coisa aliás muito simples, muitíssimo natural, mas não no Brasil, onde as senhoras estão eternamente proibidas de competir com o outro sexo na vida pública. ... Às nove horas da manhã, que digo eu! às seis horas, depois de ligeira refeição, encaminham-se para o trabalho quotidiano, felizes, satisfeitas, envolvidas em grossas capas de lá no inverno, a bolsa de um lado, sem sequer fazerem-se acompanhar. Vão direitinhas de casa para a loja ou escritório, sem que ninguém lhes dirija uma pilhéria, sem que ninguém as desrespeite, e, à noite, recolhem-se da mesma forma, sempre alegres, transpirando saúde, a face rubra. ... O proverbial desembaraço das americanas manifesta-se a todo instante. Prontas sempre a repelir com dignidade um ataque à sua honestidade, elas se dirigem aos homens em qualquer parte, na rua ou nos salões, com a mesma simplicidade com que o fazem às amigas. O respeito entre os dois sexos, nas classes superiores, é um dos principais caracteres do povo americano. Habituados, homens e mulheres, a uma educação livre, vivendo uns e outros em comum desde criança, as americanas não se confundem nunca diante dos homens. ... Os pais depositam confiança ilimitada nas filhas. Deixam, sem escrúpulo, que elas saiam a passeio, de carro ou a pé, só ou em companhia de um amigo da casa, na certeza de que elas saberão zelar a sua castidade. Os raptos e os defloramentos são raros, não sei se devido ao temperamento da raça ou se à inflexibilidade da Lei. (caps.VI-VII, grifos meus, a não ser quando dito) O outro lado da moeda naturalista é o racismo cientificista e determinista de Adolfo Caminha, visível em alguns trechos: "A Escola de West Point é, sem exagero um exemplo raro de estabelecimentos desse gênero. E não era sem uma ponta de tristeza que nós, brasileiros — raça degenerada e linfática — víamos criar-se assim uma raça forte e alegre com todos os caracteres de virilidade e independência. ... É talvez um duro sistema de educação esse, mas incontestavelmente o mais acertado e eficaz. Simples questão de raça..." (cap.XV) Em 1895, Caminha publica o romance Bom-Crioulo, cuja primeira edição se esgota rapidamente. O livro só será reeditado quarenta anos depois, em 1936, em uma edição bastante deturpada que será apreendida pelo Estado Novo sob alegação de ser comunista. Finalmente, com a terceira edição, em 1956, o livro é canonizado e não sai mais de catálogo. (Azevedo, 117, Mendes, 195) As primeiras reações da crítica são virulentas. José Veríssimo, respeitado crítico literário, é um bom exemplo da recepção do livro: "Bom Crioulo é pior do que um mau livro: é uma ação detestável, literatura à parte. ... Como quer o sr. Adolfo Caminha que seja respeitado e estimado um homem que, sem utilidade alguma social, passou longos dias ocupado em analisar e discutir a psicologia improvável de nauseantes crimes contra a natureza, e tenta depois com isso despertar em nós o arrepio da curiosidade impura e mórbida?" (citado em Howes, 44) Valentim Magalhães, editor da influente revista A Semana, escreveu: "Ora, o Bom-Crioulo excede tudo quanto se possa imaginar de mais grosseiramente imundo. ... não é um livro travesso, alegre, patusco, contando cenas de alcova ou de bordel. ... é um livro ascoroso, porque explora - primeiro a fazê-lo, que eu saiba - um ramo de pornografia até hoje inédito por inabordável, por antinatural, por ignóbil. Não é pois somente um livro falsandé: é um livro podre; é o romance-vômito, o romance-poia, o romance-pus. ... Este moço é um inconsciente, por obcecação literária ou perversão moral. Só assim se pode explicar o fato de haver ele achado literário tal assunto, de ter julgado que a história dos vícios bestiais de um marinheiro negro e boçal podia ser literariamente interessante. ... Provavelmente o Sr. Caminha já foi embarcadiço, talvez grumete como seu louro Aleixo - o que ignoro. (citado em Howes, 43, Azevedo, 122-3) A literatura naturalista é intragável: ela força os limites do possível e transforma novos temas em assunto literário, "mapeando regiões até então lacradas à literatura oficial". (Mendes, 33), revelando "os perigos e mistérios da sexualidade" (Mendes, 23) e gerando níveis de ansiedade insuportáveis. Uma história literária francesa resume grande parte da ansiedade do establishment literário e ainda antecipa a grande questão do pós-modernismo: "(Os naturalistas) apaixonam-se pelo terrível, cedem à necessidade de fazer pasmar o público, e obedecem à lei que condena os recém-vindos a exagerar os seus predecessores: em virtude dessa progressão fatal, certo teremos escritos que farão um ponto de honra de estar para o Sr. Zola como o próprio Zola está para Balzac - mas repito-o, estão de antemão condenados a recuar um dia, seja embora perante o nojo do público ou o alto lá da polícia." (citado em Mendes, 31) Até recentemente, Bom-Crioulo ainda era atacado em termos morais. Lúcia Miguel-Pereira, em 1959, escrevia: "O tema, já de si abjeto, é tratado de modo que o torna extremamente chocante, com pormenores de todo em todo desnecessários, por vezes com um mau-gosto declamatório impensável num escritor da categoria de Adolfo Caminha." (citado em Azevedo, 114-5) Já Wilson Martins, em 1978, criticava o livro pelo motivo oposto, pelo tema ser mais ousado do que o tratamento que recebeu, e por as relações homossexuais serem "sempre descritas por meio de perífrases e imagens envergonhadas, mal disfarçando a repugnância do autor e sua condenação moral." (citado em Azevedo, 116) Além disso, mais do que O Cortiço ou Memórias de um Sargento de Milícias, Bom-Crioulo é a primeira obra da literatura brasileira onde todos os personagens são de classe baixa. Não há mocinha pura e bonita para representar os conceitos tradicionais de feminilidade, não há vilão fácil e irredimível para odiar. Em um romance firmemente entrincheirado no território do "outro", o leitor burguês não tem nenhum personagem confortável com o qual se identificar. (Howes, 56) Não é à toa que o romance causava tanta ansiedade nos críticos. Diante da avalanche de críticas, Caminha se vê obrigado a fazer uma defesa do livro, no qual faz uma profissão de fé do seu naturalismo: "(O Bom-Crioulo é) nada mais que um caso de inversão sexual estudado em Krafft-Ebing, em Moll, em Tardieu, e nos livros de medicina legal. Um marinheiro rudo, de origem escrava, sem educação, nem princípio, num momento fatal obedece às tendências homossexuais do seu organismo e pratica uma ação torpe: é um degenerado nato, um irresponspável pelas baixezas que comete até assassinar o amigo, a vítima de seus instintos. Em torno dele, se espraia o romance, logicamente encadeado, de acordo com as observações da ciência e com análise provável do autor, que, no caráter de oficial de Marinha, viu os episódios que descreve a bordo. ... A julgar como certos imbecis - que os personagens de um romance devem refletir o caráter do seu autor, Flaubert, Zola e Eça de Queiroz praticaram incestos e atos monstruosos. ... Qual é mais pernicioso: o Bom-Crioulo, em que se estuda e condena o homossexualismo, ou essas páginas que aí andam pregando, em tom filosófico, a dissolução da família, o concubinato, o amor livre e toda a espécie de imoralidade social?" (citado por Mendes, 164; Azevedo, 123-4) Como veremos mais adiante, tivesse Caminha se mantido fiel ao programa acima, talvez não fosse nem lido hoje. A tensão primordial que faz do Bom-Crioulo um grande romance nasce justamente da fratura do projeto naturalista de Adolfo Caminha. (continua...)
Thursday, January 17, 2008
"Não Entendo a Claudinha!"A maior paixão da minha vida é observar as pessoas, entendê-las, entrar dentro delas, saber porque fazem o que fazem. A maioria das pessoas não é muito difícil de entender.
Wednesday, January 16, 2008
Carolina Maria de JesusAssunto: Carolina de JesusImagino que ele se referia a esse texto.
Porque Não Me Convidam para Festas - UPDATEDConversa no MSN, postada com permissão: pô Alex, se o msn te causa tanto problema assim, por que vc. não muda pro skype? acho muito melhor.Problema? Onde foi que você viu problema?? "confesso que nao entendi tua perplexidade frente à afirmacao dele de q "um livro bom de ler é um livro que nao se sente que está lendo". ele tinha acabado de dizer que nao gosta de ler, que nao "é o maior fã" de literatura! se eu te digo que nao gosto de feijao e voce ainda assim me obriga a provar o feijao que voce fez, voce ia achar estranho se, caso eu gostasse, eu dissesse: "seu feijao eh tao bom q nem parece feijao"?"Em minha defesa, eu posso dizer isso: eu não saio por aí perguntando pras pessoas o que elas acham de livros. Meu amigo é que puxou o assunto Dom Casmurro da cartola e eu perguntei, inocentemente, por falta de outra coisa pra dizer, o que ele tinha achado. E foi daí pra baixo.
Monday, January 14, 2008
O Problema da Moradia em CubaMatéria no Granma de sábado admite o sério problema da habitação e promete 50 mil novas casas ainda esse ano. Um dos capítulos do meu livro sobre Cuba, Radical Rebelde Revolucionário, é justamente sobre isso: "Quem Casa Quer Casa". Abaixo, um trechinho:
Sunday, January 13, 2008
StripfeetEstou voltando pra Nova Orleans amanhã. Comentário de uma amiga querida, queridíssima que eu não consegui ver durante minha estada no Rio: voce agora so sai com a mirna, com a morna :-) comigo nem uma aguinha de coco... deve ser pq eu n faco stripfeet p vc
Os Cds do Meu CarroLulu passou o fim de semana no Rio, andou no meu carro, ouviu minha seleção de CDs e comentou: "se esses seus fãs-leitores souberem dos seus gostos musicais, eles te desguruzam de vez". Bem, com tão nobre objetivo em mente, aqui vão os 10 CDs atualmente no meu carro:
Saturday, January 12, 2008
O Peso de Um SegredoEu sempre gostei de saber de todas as histórias sobre a vida de todo mundo. E, como bom contador de histórias que sou, também sempre gostei de passá-las adiante.
|
Um blog sobre rebeldia, contemplação e sacanagem, regado a muita literatura e humor. Nosso assunto são as várias prisões que acorrentam o homem, como ambi‹o, verdade e medo. Dê sua opinião!
Msn (melhor modo de falar comigo)
AmigosAllan Ana Anon Bel Beth Bia Branco Bruno Camila Carol Cinthia Dani Doni Diego F‡bio Fl‡via Harry Helder Ian Idelba Ina L LŽo Lulu Marcela Marina Marmota Maur’cio Mauro Nemo Nituche Pablo Paula Paula, fih |